Recentemente participei da Formação em Coaching oferecido pela empresa Febracis, onde atualmente trabalho no desenvolvimento de treinamentos e materiais didáticos. Esta é a segunda vez que participo, tendo a missão de entender a dinâmica atual do curso para fazer as devidas melhorias e atualizar o conteúdo para as próximas edições. Assim, busquei vivenciar toda a experiência como uma aluna regular e, neste artigo, trago minhas observações.
Primeiro, entenda o que é coaching
O coaching é uma prática que surgiu inicialmente ligada à área de esportes. É, inclusive, daí a origem do termo: coach é uma palavra do inglês, que significa treinador. A princípio, era voltado para o desenvolvimento de atletas de alta performance, com treinos físicos e mentais. Até que, na década de 1970, Timothy Gallwey adaptou essa técnica para o mundo corporativo, impulsionando os resultados de líderes e empresas.
A base dessa metodologia é ajudar pessoas a alcançarem objetivos em diferentes áreas da vida. Assim, são utilizadas diversas ferramentas para o coachee (aquele que está em treinamento) identificar o contexto em que se encontra, definir aonde deseja chegar e traçar um plano de ação otimizando os recursos disponíveis. O coach, dessa forma, atua como um estrategista, orientando e ajudando durante todo o processo.
Por isso, embora não seja necessário, é interessante que o profissional tenha conhecimento teórico e prático na área em que o cliente quer se desenvolver, pois garante que a pessoa seja direcionada da melhor forma. Isso justifica, por exemplo, porque houve uma época em que tantos coaches se apresentavam como life, financeiro, empresarial, de saúde, e até de inglês, aumentando ainda mais o preconceito com a área.
E tem coach para tudo?!
Por que o coaching ainda conquista tantas pessoas
Diante dos questionamentos em relação à eficácia e seriedade do coaching, muitos não conseguem entender como as pessoas ainda se interessam pelo processo. O coaching é voltado para quem não consegue ver possibilidades na vida e, caso vejam, tem dificuldade de se organizar e ser consistente na realização de planos. Além disso, também tem como público aqueles com fragilidades emocionais, o que, de certa forma, inclui todos nós.
A vida adulta é cheia de desafios e frustrações, então muitos veem esse processo como uma solução para mudarem suas realidades e viverem melhor. Afinal, quem não deseja ser mais saudável, viver bem com a família, aproveitar o tempo livre, ter uma rotina agradável e produtiva, realizar sonhos, ter uma carreira de sucesso e finanças organizadas… enfim, ter uma vida plena?
É exatamente esse estilo de vida que o coaching oferece como possibilidade, incentivando a ideia de que qualquer um pode realizar qualquer sonho. E, quando não se tem esperança em uma vida melhor, esse discurso chega como um abraço, especialmente diante dos resultados comprovados de alguns que passaram pelo processo.
Como é o curso Formação em Coaching na Febracis
O treinamento é um curso de desenvolvimento pessoal cujo objetivo é formar profissionais na área. Em outras palavras, a Formação em Coaching seria a graduação de coaches, seguindo uma grade curricular com conteúdo teórico e atividades práticas. O curso é dividido em dois módulos, cada um com quatro dias intensivos de treinamento (das 9h às 21h, com intervalo para almoço e lanches à tarde).
A turma tem em torno de 16 alunos, permitindo um melhor acompanhamento individual e facilitando a conexão entre as pessoas. Inclusive, uma das premissas do curso é que o aluno aplique o conhecimento em si enquanto aprende a fazer o processo nos outros. Todos vivenciam as ferramentas, conduzidas pelos treinadores, bem como praticam nos colegas em atividades que simulam uma sessão.
Em relação à teoria, o conteúdo bebe do conhecimento de diversas áreas, como psicologia, neurociência e até filosofia. Naturalmente, a grade curricular não equipara os alunos a nenhum profissional dessas áreas, oferecendo apenas a base para entender as ferramentas aplicadas e por que o processo é realizado da forma apresentada. Quem deseja se aprofundar e atuar com casos clínicos, deve fazer uma graduação ou especialização.
A espiritualidade como pilar da transformação
Um aspecto que me chamou a atenção, é o quanto a espiritualidade se tornou uma parte importante do treinamento. Não é uma novidade que a empresa tem entre seus valores os “princípios judaicos-critãos”, o que certamente embasaria o conteúdo. Entretanto, foi interessante como a turma em si se conectou fortemente com esse pilar da espiritualidade.
As citações bíblicas e mesmo a condução de certas ferramentas fortaleceram a relação dos alunos (majoritariamente cristão) com as “promessas de Deus” para suas vidas. Todas as percepções que tinham e a vontade de fazer melhor visivelmente enfatizavam a conexão deles com Deus, a ponto de haver pausas em diversos momentos para orações. Era algo que acontecia naturalmente.
Essa dinâmica pode ser estranha para quem observa de fora e não é religioso, pois tem uma intensidade que lembra cultos e atividades em igrejas. Apesar disso, senti que a turma imergiu no processo de transformação pessoal, sem deixar de lado o senso crítico. Havia um maior questionamento sobre o papel do coach, as teorias e mesmo a visão apresentada sobre o processo do que observei há alguns anos, quando fiz o curso pela primeira vez.
Isso é algo muito positivo para os alunos, o próprio treinamento e a área como um todo.
Afinal, a Formação em Coaching transforma vidas ou não?
Não sou radical como alguns em relação a esse tipo de curso, inclusive trabalho em uma empresa que o fornece. Já estive há tempo o suficiente nesse universo para perceber que o conteúdo realmente ajuda diversas pessoas a mudarem suas perspectivas e postura diante da vida, transformando completamente suas realidades. Consequentemente, os resultados delas também melhoram.
A Formação em Coaching é, portanto, o treinamento que reúne uma boa base para gerar movimentos tanto em âmbito pessoal quanto profissional. Por exemplo: é possível usar as ferramentas e técnicas aprendidas para gerenciar a equipe no trabalho, aproveitando o melhor de cada profissional na realização de metas corporativas e pessoais. Se aplicado devidamente, todos evoluem em uma relação ganha-ganha.
Por outro lado, percebo que pessoas mais emotivas engajam melhor com o processo. Eu tenho um perfil racional e, embora tenha tido insights importantes nos oito dias de curso, não tive uma transformação como alguns colegas vivenciaram. Talvez não seja a melhor solução se você já tem um perfil muito analítico, mas, ainda assim, pode lhes trazer um novo olhar e ajudar a manter o foco nos seus planos e objetivos.


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